Às vezes penso que as pessoas são tão inquietas em relação às próprias existências que acabam se incomodando quando alguém consegue levar a vida de um jeito sossegado, na calmaria, sem crises existenciais.
Adoro quando sobra pra mim...
- O que você quer da vida?? Vai ficar aí parada enquanto ela passa??
Ô, gente, não mexe com quem tá quieto...
Colega, quem disse que não estou aproveitando?? Não precisa me dizer, eu sei que essa vida é passageira. E convenhamos, graças a Deus é passageira. É tudo muito emocionante e pá, mas também tem loucura demais pra ser eterna.
Mas já que falamos em aproveitar, me diz aí, o que seria “não deixar a vida passar”?? Posso tentar?? Ok, vou chutar, hein?! Vamo lá...
Eu devo acreditar que...
...viver é adorar uma correria, fazer tudo ao mesmo tempo, me ocupar o máximo possível, estudar demais, trabalhar demais. Sim, a vida é curta and time is money, man!! Descanso depois. Sabe?! Aquela coisa de vida eterna... Agora eu quero é dinheeeeiro!!
Não?? Ah, então...
...eu vou curtir todos os rocks (chiii-cleeee-teeee, oba! Oba!) de todos os fins de semana, do ano inteiro, enquanto eu existir e meu dinheiro der. Virar o mundo de peeerna pra cima, despiiiirocar e bebeeeer até cair, porque ninguém faz amigos bebendo leiteeeee!! Uhuuuul!!Pegar geral, conhecer novas línguas, quebrar tudo, mermão!!
Ou...
...vou fazer uma tatuagem, raspar a cabeça, sair de casa, usar uns bagulhinhos pra desanuviar a mente, pichar umas paredes por aí, destruir orelhões, maltratar uns mendigos, fugir da polícia, ir atrás de emoção, liberdade...
Agora acertei!! Não?! Tá bom, tá bom... De qualquer forma, o meu conceito de viver é outro, sabe?! Talvez seja (e provavelmente é) brega demais, clichezão demais, mas sabe de uma coisa?? Tô nem aí, não.
Diariamente, Deus me dá a oportunidade de acordar e ver que estou viva e que posso, novamente, desfrutar de todas aquelas simples coisinhas que fazem parte da minha rotina. Muitas delas são muito, muitíssimo irritantes e desgastantes, mas me fizeram aprender na marra a ser mais paciente, achar graça dos problemas e ver que tudo tem um lado bom.
Simplicidade é a palavra. É isso que me permite desfrutar de milhões de ótimos momentos, que me fazem sentir tão bem ao ponto de parar e pensar “rapaz, só por isso aqui minha vida já valeu a pena”.
Vejo a beleza da natureza, vivo emoções das mais variadas, sonho, faço amizades eternas, rio de tudo, de mim, dos outros e do fato de ser chamada de abobalhada por isso. Fico encantada quando ouço risadas sinceras, tão profundas que o cidadão chega a engasgar de tanto que riu.
Presencio demonstrações de afeto e gentileza, ouço elogios, coisas boas sobre mim e recebo de volta o carinho que tenho por algumas pessoas (umas me detestam, não importa o que eu faça).
Sabe outro momento ímpar?? Encontrar um amigo de anos atrás e ter horas daquela sessão-nostalgia... “Lembra do fulano?”. Se nos encontramos 10 vezes, 10 vezes falamos das mesmas lembranças. Coisa de quem está ficando velho...
Meu trabalho também entra na lista, claro. Ouvir os milhares de causos contados por meus colegas, indiretamente chamá-los de velhos, fingindo não me lembrar de alguma coisa do passado e dizer “isso não é do meu tempo” ou ter a liberdade de azucrinar à vontade, pedindo pra fumarem longe de mim, falarem mais baixo ou varrerem direito o chão... Não tem preço!!
Eu não imaginava que seria bacana assim trabalhar com tanto peão e ser um também (descobri que existem criaturas muitíssimo mais bobas que eu nesse mundo). Me divirto até com os sustos que alguém sempre leva na área assombrada e escura durante a madrugada. “Tá com a consciência pesada, tá?? Tava fazendo coisa errada, tava??”. E ah, como é boa a sensação de botar no bolso meus queridos amigos que precisaram fazer mais de uma vez a prova de trânsito (isso não foi uma indireta, Wallace, Alan, Ivan...)... Quem é o perigo constante agora, ahm??
Enfim, essa não é uma teoria que vá me levar a ganhar algum prêmio, mas é o que tomo como lema de vida. Trabalhar, rockear, dar uma surtada de vez em quando faz parte, mas se me limito a isso, começo a perder o rumo, me deprimir quando preciso ficar de molho em casa num fim de semana ensolarado ou quando perco uma festa por causa da escala de trabalho. É possível achar um lado bom em tudo que acontece. Talvez eu precise cavoucar bastaaante até encontrar, mas no fim (às vezes, bem no fim mesmo) lá está.
E assim a gente segue, sabe Deus por quanto tempo ainda. Na verdade, não tenho muita pressa em descobrir, não...
“O simples fato de existir já é divertido...”
Luciana M.A.

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