sábado, 23 de janeiro de 2010

Aperto coletivo




“O que atrapalha eu abraçar a minha dona é o braço da poltrona. É no balanço do busão, é no fungado da sanfona. O que atrapalha é o braço da poltrona”.

Pelo jeito a galera do grupo Falamansa nunca andou de ônibus. Se tivesse, teria percebido que até rola um amasso dentro do busu, mas não como o da música, e sim porque é muita raça de gente se espremendo e disputando um pequeno espaço dentro do coletivo abarrotado.

Andar de sauna móvel não é uma das experiências mais agradáveis da vida de uma pessoa. Além de não ter a praticidade e o conforto de um automóvel, o transporte público expõe o pobre passageiro a uma série de outros transtornos. Pobre mesmo. Tenta achar alguém que anda de ônibus por prazer e respeito ao meio ambiente. Tenta...

O longo tempo de espera, a quantidade de pessoas, e o valor da passagem já são motivos suficientes para fazer qualquer um pensar melhor na possibilidade de comprar uma moto, um carrinho de terceira mão ou até mesmo um camelo. Mas quem me dera que fosse só isso.

Ainda não viveu aventuras quem nunca teve a infelicidade de desfrutar de toda musicalidade que vem dos celulares dos mano vidaloka22fechacumnóis que pegam o busão pra ir pra correria. Quando junta mais de um, então. Aí lascou, um som que ensurdece. O resto do ônibus se entreolha esperando um macho com M mandar desligar aquela joça, mas... Nada acontece. O medo de levar um tiro respeito às diferenças fala mais alto...

Quando chove, além do calor humano, a nhaca se intensifica de uma forma... Uma chuvinha no rosto não mata ninguém, gente. Precisa mesmo fechar todas as janelas e acabar com a mísera porção de ar quase respirável que vem de fora??

E levanta a mão quem nunca presenciou aqueles típicos barracos dos horários de pico. Trânsito parado, muitos expectadores, nada melhor que um show. Quando não é bate-boca com o motorista, é entre passageiros ou até mesmo alguém reclamando sozinho, querendo fazer valer algum direito. Os motivos são os mais variados: “ninguém segura a minha bolsa”, “vão bora, motô, eu vou perder a novela”, “para de empurrar”, “essa passagem é um absurdo”, “esse tarado tá me encoxando”, “perdeu, playboy, passa a grana...”. Só coisa leve.

Então, antes de reclamar que o seu carro não tem ar condicionado, som ou qualquer outro mimo, pense que muitos desafortunados estão espremidos entre a roleta e um sovaco com desodorante vencido.
Seja feliz rindo da desgraça alheia (ou da própria) e boa viagem!!

Para aqueles que andam de GOLF e concordam que o transporte público contraria as leis da física. Dois corpos ocupam, sim, o mesmo espaço.
Luciana M.A.