Já me assustei tanto com certas coisas, que agora me assusto com o fato de já não me assustar mais com elas.
Violência, futilidade, frieza, vulgaridade, guerra de egos, ausência de valores... Tudo tão normal. Não entendo o ser humano nem imagino até que ponto sua loucura pode chegar.
Parei de assistir televisão. Cansei de ver atrocidades contra as pessoas, os animais, a natureza e a minha inteligência. Prefiro ser louca ao ponto de fingir que nada disso acontece lá fora do que absorver toda doença que isso transmite...
Infelizmente, desligar a TV não me livra do caos. Por mais que eu procure me afastar, o mundo ainda existe e eu ainda não tenho outro lugar pra ir.
Entristeço-me por aqueles que estão por vir. Aquela que deveria ser a base de tudo, a fase mais pura e inocente da vida de alguém, tem sido violada sem dó nem piedade. Foi-se o tempo em que crianças se pareciam mesmo como crianças; que andavam descalças, não com saltos; que sujavam a cara de comida, meleca, terra, não que usavam maquiagem; que viam desenhos tão puros e inocentes quanto elas.
A infância se perdeu e, daí então, foi só prejuízo. Adultos gananciosos, cruéis, egocêntricos, vazios... Tenho medo de ter filhos e de impor a eles uma sociedade que cria qualquer coisa nem de longe parecida com pessoas.
Apesar do cansaço e quase total ceticismo, espero poder, um dia, sair desse estado de choque em que me encontro e voltar a ver um mundo em que o mais insignificante dos erros cause indignação e ação de todos os que neles vivem.
Luciana M.A.
