quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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Feliz ou infelizmente, sei lá, a vida é feita de mudanças e numa dessas alguém decidiu que você teria que seguir um rumo diferente do meu.

Nada de choro. Afinal, ninguém ganha tamanha importância em tão curto espaço de tempo. Ganha?? Pois então me dê motivos para sentir falta de uma pessoa que até pouco tempo atrás nem sabia que eu existia...

Talvez as constantes implicâncias, os complôs e as teorias sobre relacionamentos?? Aquela sua cara de satisfação ao me ver descabelada, suja e fedorenta depois de passar oito horas numa correria filha da mãe?? Ou quem sabe o fato de me mandar não comer tanto e de sempre querer me desencalhar, arrumando os piores pretendentes possíveis?? Hum... Quanta pretensão!!

Não é porque nosso convívio por agora está acabando que eu vou te cobrir de elogios. Não mesmo. Grande coisa me cumprimentar sempre com um sorrisão bonito no rosto. Grande coisa me fazer rolar de rir diariamente da mais pura bobeira. E... grande coisa também me acompanhar nos almoços de madrugada mesmo sem fome e me dar conselhos e me dizer coisas boas e...

... Ser aquele pra quem eu corria quando o bicho tava pegando, quando eu tinha vontade de ouvir sobre Deus, quando eu tinha vontade de chorar... Grande coisa!!

Com que direito você surge, me adota e depois resolve se mandar?? Tá certo, não. Eu te odiaria por isso... se você não tivesse se tornado tão especial, seu, seu...!!

Ainda não caiu a ficha de que não vou mais poder dar uma desviada do corre-corre pra bater aquele papo esperto, que não vou mais ouvir que não sei varrer uma sala direito ou que não vai mais ter um inconveniente pra me encher de perguntas e pra eu matar de curiosidade.

Mas que droga, hein?!

Se eu nunca disse que você é insubstituível, acredite, você é. Meu amigo, você vai fazer uma tremenda falta...

Muito obrigada por toda paciência, consideração, respeito e amizade. Obrigada por me emprestar o ombro no desespero, na angústia e na revolta. Fico feliz por ter descoberto essa joia em um ambiente tão improvável. Foi um prazer essa convivência.

Para o que precisar, estamos ae. Conte comigo.

Agora chega, né?! Isso aqui tá sentimental demais. Bláh!!

Te vejo na passagem de turno, peão!! Até breve!!
Luciana M.A.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Relatório Pessoal do Aprendiz


Dei-me uma missão, não impossível, não muito fácil, mas que me despertou interesse por ser uma oportunidade de demonstrar algumas coisas importantes a pessoas importantes. Por diversas vezes precisei fazer relatórios técnicos e direcioná-los a uma orientadora, mas acredito que outras pessoas também precisam de certas outras informações...

Minha tarefa é dizer, em quantas palavras achar melhor, o que representou até então essa experiência de alguns meses como aprendiz operacional.

Pra começar, nunca imaginei que um dia iria trabalhar de madrugada, fazer trabalho mais que braçal e sair tão suja depois de uma jornada de 8h. Sobre isso só consigo mesmo lembrar do pensamento que diz “Para obter algo que nunca teve é preciso fazer algo que nunca fez”. Ainda estou para descobrir a parte do “algo que nunca teve”, mas sei que está vindo por aí...

Minha alegria foi enorme ao saber que, depois de mais de um ano, eu estava não só conseguindo novamente um emprego, mas um bom emprego e retornando para uma empresa que sempre vi como um ótimo lugar para se trabalhar. Na minha época de estágio conheci parte do funcionamento desse pequeno mundo e tive o prazer de dividir aqueles nove meses com um bocado de gente bacana que me fez chorar muito no dia da despedida.

Quando começou o contrato como trainee operacional, minha expectativa era grande. Sobre tudo. Sobre que tipo de serviço eu faria, que coisas eu aprenderia, como seria a equipe, como eu seria recepcionada, principalmente pelo fato de ser uma “estranha no ninho”, uma mulher em meio a tantos homens. Tive receio sobre como eles, antes absolutos nessa área, veriam meu trabalho, se duvidariam da minha capacidade, se eu representaria para eles um incômodo.

No início, eu percebia uma espécie de desconforto em função da minha presença. Não sei se era apenas impressão, mas a feição daqueles que me rodeavam era algo parecido com “essa garotinha vai dar conta??”. Mas acredito que com o tempo, essa imagem, essa desconfiança foi se desfazendo e dando lugar a outro tipo de visão, a de que eu estava me tornando uma colega de trabalho, capaz, não apenas uma mera aprendiz, mulherzinha.

Quando fiquei sabendo qual seria minha área e dei minhas primeiras voltas por lá, pude entender o porquê do ceticismo de alguns quanto à minha capacidade, à capacidade de uma mulher em desempenhar tal serviço. Acho que se eu soubesse antes, até eu mesma duvidaria.

Hoje, trabalho diretamente com pessoas incríveis, dispostas a me fornecerem todas as informações que estejam ao seu alcance. Não falta paciência para responderem minhas perguntas ou então para repetirem, pela trocentésima vez, aquele processo que insiste em não entrar na minha cabeça. Foi bom ter encontrado gente que me bota pra suar, sujar e ralar muito e ao mesmo tempo me oferece certa proteção. Tudo funciona em equilíbrio.

Além de ser instruída para a execução das atividades, também aprendo muito sobre trabalho em equipe, recebo dicas, chás de ânimo, apoio, conforto em momentos de angústia ou insegurança e sutis puxões de orelha, em especial de um camarada que, segundo alguns, me treina na base da chibata. Sendo ou não dessa maneira, o fato é que eu gosto demais do sinhozinho!!

O peso da responsabilidade e o cansaço físico pelo esforço necessário em cada atividade são amenizados no dia a dia pela descontração da convivência. Nos momentos em que é possível tomar fôlego, beber uma água e trocar uma ideia, só me falta chorar de rir. Seja pelos casos contados, pelas implicâncias e imitações ou pelos sustos que alguém sempre toma enquanto anda na área. Ótimos momentos que vão estar para sempre na memória...

Estou vivendo uma oportunidade muito boa, única, que contribui gradualmente para o meu crescimento profissional. Além disso, é uma enorme satisfação ter a chance de conhecer tanta gente encantadora e fazer parte de suas vidas.

Sou grata pela paciência, apoio e respeito, e espero estar também conseguindo transmitir algo de bom. É ótimo fazer parte dessa família...

I, G, W, W. ... Especialmente p/ vocês!!
Luciana M. A.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu te desafio...


“Para obter algo que você nunca teve é preciso fazer algo que você nunca fez.”

Em algum momento da minha existência percebi que fazer apenas aquilo que me é 100% cômodo não me leva a lugar algum, não me ajuda a alcançar algo que eu realmente queira; que se eu não tentar vencer barreiras que são impostas a mim, sejam elas sociais, financeiras ou psicológicas, viverei em eterna insatisfação. É necessário questionar a situação em que me encontro, ponderar as opções.

Estou feliz assim?? Quantas vezes me desafiei?? Quantas vezes fui além do que eu achava ser capaz?? Alguma vez corri riscos, botei tudo a perder para buscar o que eu queria de fato?? Ou será que me mantive sempre na zona da comodidade e segurança??

Decido por me arriscar e começo minha jornada, mas cadê o apoio?? Onde estão aqueles que deveriam me incentivar nesse momento?? Nada?! Então somos apenas eu e Deus nessa parada, amigo.

Todos dizem ser uma má ideia, que estou trocando o certo pelo duvidoso, que não vou conseguir. Mas eu estou a fim de tentar, então tento mesmo. Se der certo, se der errado, ao menos estou agindo de acordo com aquilo que realmente acredito, estou vivendo, andando com minhas pernas, aprendendo com meus sucessos e fracassos.

Em qualquer caminhada me deparo com motivos para desanimar, mas nada me para enquanto EU, apenas eu não me convencer de que devo realmente largar mão dessa empreitada. Caso contrário, sigo, tomando solavancos, me estressando, encontrando obstáculos a serem superados, mas vivendo da minha maneira, fora da sombra dos outros.

Talvez seja mais válido arriscar ter dois pássaros voando do que um na mão. Ou será que é melhor nem tentar, porque vai que...?! Posso me encontrar no meio de um dilema, mas preciso fazer minhas escolhas, e devo sempre ter em mente que todas elas têm seus riscos.

Se eu tentar e tiver sucesso, serei uma pessoa realizada. Mas se eu fracassar, serei forte o bastante para um recomeço?? Entendo que sim?! Ótimo, sento o pé. O tempo está passando, um dia a morte chega e eu prefiro acreditar que fiz tudo o que eu podia para ser feliz.

O que me resta é pensar, pensar, pensar mais um pouco, me decidir e me aventurar (ou não) numa nova busca sem garantia de êxito. Eu confio na minha decisão e pago pra ver... E você??

“Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir...” (Lulu Santos)

Luciana M.A.

sábado, 12 de junho de 2010

Eu sabia...


Sempre odiei ser a última a saber dos acontecimentos, fosse porque eu não tinha nada a ver com o assunto, porque simplesmente esqueceram de me contar ou até mesmo porque eu era a única pessoa que não deveria tomar conhecimento de tal fato antes da hora.

O 35 º aniversário de uma mulher solteira já não é exatamente uma data comemorativa das mais empolgantes, e eu ainda tive a boa sorte de passar todo esse bendito dia sem receber uma mísera ligação. Fui completamente esquecida por meus pais, amigos, vizinhos, enfim, por todas as pessoas que eu acreditava que tinham o mínimo de consideração pela minha pessoa. Mas não, nada...

Depois de me convencer de que ninguém havia se lembrado da data, e quando eu já estava decidida a ficar em casa, de pijama, comendo tudo que eu encontrasse na geladeira e pensando em qual seria o meu discurso dramático para cada uma daquelas pessoas sem coração no dia seguinte, minha amiga Beatriz bateu à minha porta com a cara mais deslavada que conseguiu fazer e disse:

- Amiga, por que você está assim?? Não achou que eu tinha esquecido, né?!?! Capricha no visual que nós vamos comemorar...

Ok. Tudo bem... Fingi que acreditei naquele papo de “eu só estava te testando” e saí com ela, carregando um bico de meio metro. Ela esqueceu do meu aniversário e tentou consertar as coisas no fim do dia, claro. Quanta consideração...

Circulamos por aí de carro por cerca de meia hora, e a cada minuto meu mau humor só aumentava. Porém... Ao chegar ao nosso destino, qual não foi a minha surpresa? Estavam lá todos os meus amigos queridos, sorrindo para mim e segurando uma enorme faixa de “FELIZ ANIVERSÁRIO, FÊ!!”. Fui da amargura ao total desconcerto em milésimos de segundo.

O que eu achei?? Ah, eu adorei!! Eu SABIA que eles nunca esqueceriam de mim...
 Luciana M.A.

domingo, 25 de abril de 2010

Obrigada, Senhor...

Por me permitir acordar todos os dias e desfrutar de tudo que esse mundo tem a oferecer...

Por me dar a chance de enfrentar desafios, cometer erros e ter a sabedoria de aprender com eles...

Por me presentear com uma vida repleta de emoções, boas e ruins, que só me fazem querer viver mais e mais a cada instante...

Obrigada
Pela infância inocente, alegre e sadia...

Pela adolescência de autenticidade, amor próprio e diversão...

Pelo hoje; adulta, centrada, feliz, consciente das minhas fraquezas, mas mais forte do que nunca...

Obrigada
Por colocar sempre em meu caminho pessoas de verdade, apaixonantes, insubstituíveis...

Por me fazer persistente na busca da realização de tantos sonhos...

Por me dar força, calma e paciência em muitos momentos...

Por me permitir dar o valor, o enorme e merecido valor a essa vida maravilhosa...

Obrigada
Por me ajudar a enxergar a beleza que existe na simplicidade...

Por me revelar lugares que retratam a perfeição da natureza...

Por enfeitar meus dias com um incrível céu azul, um gracioso arco-íris ou um formoso pôr-do-sol onde posso ver Tua face...

Obrigada
Por me dar olhos que veem as mais belas paisagens, uma boca que canta e sorri, ouvidos que escutam risadas sinceras, mãos que tocam e pernas que caminham através de Teus passos...

Obrigada
Por cuidar de mim e me dar a certeza de que nunca estarei só...

Por se fazer cada vez mais presente na minha história...

Por Tua bondade, grandeza, generosidade e amor inexplicáveis...

Obrigada, Pai, por tudo ter acontecido exatamente como aconteceu, em TEU tempo, da forma que desejou para mim...
Luciana M.A.

sábado, 10 de abril de 2010

As aparências enganam

Ê, mau costume que o ser humano tem de acreditar que tudo é o que parece, viu?... Critica, aponta, julga e nem mesmo considera que aquilo pode não ser exatamente daquele jeito. Ninguém é, necessariamente, apenas o que um primeiro contato pode exibir. O SER vai além do que olhos preconceituosos podem enxergar.

Quem nunca queimou a língua depois de descobrir que aquele antipático arrogante era, na verdade, uma das pessoas mais humildes que você já viu? Alguns talvez digam que tal situação nunca aconteceu, provavelmente porque não se deram a oportunidade de perceber que erraram ao fazer um pré-julgamento.

Esse tipo de engano pode acontecer por diferentes motivos: tal indivíduo é mais reservado; você não gosta daqueles que o rodeiam; ou quem sabe, você topou com ele em um momento ruim, e ficou sem resposta para o seu “bom dia”. A partir desse instante, ele se tornou o prepotente, mal educado, filho da p*ta que você odeia.

É fato que muitas pessoas não terão um bom relacionamento, mesmo depois de se conhecerem, mas se tudo não passar do achismo, serão perdidas ótimas oportunidades de conhecer gente de valor. A primeira impressão é a que fica somente se você quiser que seja assim. Se depois de tentar maior aproximação, você vir que o sujeito é um raça ruim de verdade, aí sim você larga mão, belê?!

Quando alguém que você não conhece passar uma imagem negativa e se mostrar rude, frio, respire fundo, conte até 10 (mil) e volte mais tarde, horas, dias, quiçá semanas depois. Talvez aquela cara feia não tenha sido mais que um sapato apertado, um chifre ou uma crise de TPM.

Releve algumas coisas e tente novamente. Você pode ter boas surpresas...

Para todos que julgam e são julgados diariamente...
Luciana M.A.

domingo, 14 de março de 2010

Ah, a amizade...

“Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar.”

Que um milhão, que nada. Prefiro mesmo poucos e bons. Um que seja já dá uma dor de cabeça...

Mas ainda que dêem certo trabalho, feliz é aquele que os tem. Achar alguém que seja digno de confiança... Caramba, como está difícil! Essas boas almas hoje são raras, são presentes especiais de Deus.

É tarefa árdua encontrar pessoas que realmente gostem de nós e que demonstrem com atos o que afirmam com palavras. Não quero pseudo-amigos, que vivem de aparências, que fingem empatia, mas que na primeira chance dão uma rasteira. Quero gente de verdade, que tenha o mínimo de decência e exponha seus reais sentimentos.

Só que mais difícil que fazer uma amizade é mantê-la, e tal façanha exige toneladas de dedicação e paciência. Está completamente por fora quem acha que amigos perfeitos são aqueles que têm nossa aprovação em tempo integral. Mal sabe que nem tudo são flores. A força da amizade está em sobreviver às dificuldades, às crises de ciúme, às pirraças sem fundamento e às discussões fatais que de fatais não têm nada.

Amizade é discordar do outro em tudo, é se aborrecer com tanta teimosia, é odiar as manias dele, os constantes atrasos dela, é não aguentar mais aquele cidadão mal humorado, mas ainda assim agradecer muito a Deus por ser amigo dessa criatura adoravelmente chata!

Ela te irrita absurdamente, ele te perturba ao extremo, vocês quase se matam, mas nada destrói o laço de ternura e companheirismo que criaram. Paradoxo? Isso mesmo. Nem Freud explica. Singularidades de uma relação de verdade.

Para meus amigos digo uma coisa: Amo. No sentido mais profundo da palavra. Amo demais, apesar de conhecê-los muito bem apesar de qualquer coisa, de qualquer arranca-rabo que possa acontecer.

E além do mais, matutando sobre esse misto de total afeto e completo caos, já concluiu o filósofo: O que não nos mata, fortalece! Sendo assim, tá tudo certo, meu chapa...


Aos meus poucos e bons que estão estampados nessas linhas...
Luciana M.A.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Amigo livro

Muito perde aquele que não se interessa pelo fascinante mundo dos livros. Não sabe quanto conhecimento é deixado de lado, quantas aventuras não são vividas, quantos momentos prazerosos são ignorados...

Além de proporcionar melhorias na fala, na escrita e na concentração, o hábito da leitura estimula a imaginação e nos permite fazer incríveis viagens sem sair do lugar. As reações e emoções vividas a cada linha podem ser as mais variadas e inesperadas.

É quase impossível conter o riso ao acompanhar diálogos totalmente sem pé nem cabeça entre dois bêbados metidos a filósofos. Ou então, não se compadecer com a dor de uma mulher que vê seu único filho ser assassinado. Difícil também é não se empolgar com as instigantes investigações e perseguições policiais.

Encontrar um bom exemplar significa esquecer o que está acontecendo ao redor e devorar página por página, na ansiedade de ver como cada acontecimento será sucedido. Enquanto a aventura não termina, o leitor não larga do seu mimo.

Mas e você, é um leitor assíduo?? Se sim, perfeito!! Se não... Não sabe o que está perdendo, viu. Seus pais querem te obrigar a ler?? Dê o braço a torcer pelo menos uma vez. Não há dúvidas que estão apenas pensando no seu desenvolvimento. Mesmo começando contra a própria vontade, você pode acabar tendo boas surpresas e descobrindo uma forma de diversão, até então pouco provável. Sem contar que não é necessário um local específico para tal prática. Leia em casa, na praia, no ônibus, na fila do banco...

Porém, se o problema é outro, financeiro não deve ser. A leitura é um entretenimento democrático e de fácil acesso. Além de bibliotecas públicas em escolas ou no centro da cidade, já existem algumas até mesmo em terminais rodoviários. Fazendo uma ficha em poucos minutos, você usufrui gratuitamente de belas obras de variados autores e estilos.

Se você ainda não se rendeu a essa singular forma de distração, largue mão da preguiça e procure por algo que desperte mais sua curiosidade, deixando o preconceito de lado e se jogando de cabeça. Você só encontrará benefícios nessa experiência interessante e completamente válida.

E então, que tal sair da internet e ir ler um livro?? Boa leitura!!
Luciana M.A.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Aperto coletivo




“O que atrapalha eu abraçar a minha dona é o braço da poltrona. É no balanço do busão, é no fungado da sanfona. O que atrapalha é o braço da poltrona”.

Pelo jeito a galera do grupo Falamansa nunca andou de ônibus. Se tivesse, teria percebido que até rola um amasso dentro do busu, mas não como o da música, e sim porque é muita raça de gente se espremendo e disputando um pequeno espaço dentro do coletivo abarrotado.

Andar de sauna móvel não é uma das experiências mais agradáveis da vida de uma pessoa. Além de não ter a praticidade e o conforto de um automóvel, o transporte público expõe o pobre passageiro a uma série de outros transtornos. Pobre mesmo. Tenta achar alguém que anda de ônibus por prazer e respeito ao meio ambiente. Tenta...

O longo tempo de espera, a quantidade de pessoas, e o valor da passagem já são motivos suficientes para fazer qualquer um pensar melhor na possibilidade de comprar uma moto, um carrinho de terceira mão ou até mesmo um camelo. Mas quem me dera que fosse só isso.

Ainda não viveu aventuras quem nunca teve a infelicidade de desfrutar de toda musicalidade que vem dos celulares dos mano vidaloka22fechacumnóis que pegam o busão pra ir pra correria. Quando junta mais de um, então. Aí lascou, um som que ensurdece. O resto do ônibus se entreolha esperando um macho com M mandar desligar aquela joça, mas... Nada acontece. O medo de levar um tiro respeito às diferenças fala mais alto...

Quando chove, além do calor humano, a nhaca se intensifica de uma forma... Uma chuvinha no rosto não mata ninguém, gente. Precisa mesmo fechar todas as janelas e acabar com a mísera porção de ar quase respirável que vem de fora??

E levanta a mão quem nunca presenciou aqueles típicos barracos dos horários de pico. Trânsito parado, muitos expectadores, nada melhor que um show. Quando não é bate-boca com o motorista, é entre passageiros ou até mesmo alguém reclamando sozinho, querendo fazer valer algum direito. Os motivos são os mais variados: “ninguém segura a minha bolsa”, “vão bora, motô, eu vou perder a novela”, “para de empurrar”, “essa passagem é um absurdo”, “esse tarado tá me encoxando”, “perdeu, playboy, passa a grana...”. Só coisa leve.

Então, antes de reclamar que o seu carro não tem ar condicionado, som ou qualquer outro mimo, pense que muitos desafortunados estão espremidos entre a roleta e um sovaco com desodorante vencido.
Seja feliz rindo da desgraça alheia (ou da própria) e boa viagem!!

Para aqueles que andam de GOLF e concordam que o transporte público contraria as leis da física. Dois corpos ocupam, sim, o mesmo espaço.
Luciana M.A.